História
A
Barroca Zona Sul tem uma rica história no
samba, e é uma das mais tradicionais agremiações
paulistanas. Foram realizadas pesquisas históricas
por William Daniel (Mestre Barroquinha) e Thiago
Praxedes que nos trouxeram grande enriquecimento
a cultura carnavalesca e dos sambistas. Abaixo a
sequencia cronológica dos principais acontecimentos
da Verde e Rosa.
Pé
Rachado e sua história no samba paulistano
"(...)
O Samba é uma coisa que quando a gente aprende a
gostar, passamos a brigar por ela como se fosse
um filho da gente. Brigarei por essa escola, como
briguei em quase quarenta e cinco anos de militância
pela Vai-Vai, como brigo pelos meus filhos e por
meus ideais, afinal essa escola é um filho meu,
Faculdade do Samba Barroca Zona Sul que se Deus
quiser vai permanecer no cenário do samba brasileiro
como um grande patrimônio da nossa cultura (...)"
Sebastião Eduardo do Amaral "Pé
Rachado"
A
história da Barroca Zona Sul está diretamente ligada
à Sebastião Eduardo do Amaral, este era o nome do
mineiro "Pé Rachado" que veio com apenas
18 anos para a paulicéia em busca de dias melhores
para trabalhar no ofício de pedreiro nas grandes
construtoras.
Em
Varginha aos 14 anos já organizava um bloco chamado
"Voz do Morro";
ao chegar a São Paulo, deparou-se no bairro
do Bixiga, um grande reduto de negros na época que
acabara de dar luz ao Cordão Vai-Vai.
Como
haviam poucos instrumentos na bateria, Pé Rachado
só ingressou um ano depois, em 1931 onde iniciou
tocando contra surdo e posteriormente tornou-se
apitador da bateria. Com seu jeito organizador,
se tornou o primeiro presidente da alvinegra da
Bela Vista e expulsou os maus elementos do samba,
já que na época a marginalidade era forte e precisava
de um grande líder, e Pé brigou até com Patonágua
(maior apitador dos tempos de cordão) que apesar
de ser ótimo de ouvido era péssimo em disciplina.
Pé
Rachado se tornou uma das principais personalidades
da história da alvinegra do Bixiga, e foi ele quem
deu oito campeonatos ao Vai-Vai de 60 a 67, um marco
histórico no carnaval de São Paulo.
Ajudou a fundar a Confederação das escolas de samba
e cordões e posteriormente e federação que
mais tarde se tornaria UESP.
Além
da Vai-Vai, Pé desde Minas tinha uma paixão, a Mangueira
do Rio, onde era batuqueiro e lá aprendeu muito
inclusive em matéria de ritmo foi ele que trouxe
ritmos, inovações em desfile, enfim ...
Porém
intrigas no inicio dos anos 70, fizeram com que
Pé Rachado nomeasse José Jambo Filho (Chiclé) como
presidente em 1972 e em 1973 Pé Rachado definitivamente
se afastou da já Escola de Samba Vai-Vai. Muito-se
fala sobre sua saída do Vai-Vai mais foi uma decisão
fria e inteligente ao mesmo tempo, se não nomeasse
Chiclé talvez o Vai-Vai teria ido para as mãos de
pessoas que não conseguiriam segurar a escola da
devida maneira.
No
carnaval de 1974 coordenou a harmonia da Camisa
Verde e Branco, do amigo Inocêncio Tobias (Mulata)
sagrando-se campeão pela verde e branco da Barra
Funda. Morador da periferia de São Paulo, no bairro
de Vila Mariana, rua Padre Machado onde existiam
muitos sambistas que se dividiam: na parte de cima
do morro, eram Vai-Vai (abrigava a Ala Cuíca de
Ouro principal ala da Vai-Vai na época) e na baixada
na região da rua Santo Irineu eram Camisa Verde
e Branco e Acadêmicos do Ipiranga.
O
bairro já havia abrigado duas escolas: o Brinco
de Ouro, famosa escola com características de cordão
e que se vestia muito bem em suas passagens sobre
o comando de Nico do Trombone e o Garotos de Vila
Mariana na Rua Santo Irineu (em 1974 ambas já estavam
extintas) e a rapaziada se deslocava a outras escolas,
ou batucavam no campo "Barroca" da Portuguesinha
de Vila Mariana.
Nasce
a Barroca - Os primeiros anos de glória
Quinta
Feira, noite de 07 de Agosto de 1974 na Rua Padre
Machado 442,
casa 2 fundos no famoso "vilão"
onde residem até hoje muitas famílias,
nasceu o Grêmio Recreativo Cultural Esportivo
Beneficente Escola Faculdade do Samba Barroca Zona
Sul, com as cores verde e rosa em homenagem a Mangueira,
quando Pé Rachado mesmo com seus 56 anos de idade,
reuniu em sua humilde casa seus filhos Binha, Bira
e Lobão, sua prima Lurdes do Amaral (a mãe da Barroca)
e os seus seguidores Ednei, Zé Carlinhos, Zé Francisco,
Tornado, Carlos Alberto Amaral (Galocha), Miguel
Lopes Filho, Norberto Amaral Filho, Aracendi Amaral,
Pedro Paulo Camilo, Encida Maria Novaes Ferreira,
Maria Aparecida Amaral, Vera Lucia Amaral, Lurdes
Amaral (a mãe da Barroca), Clélia Aparecida Mariano,
Áurea Lúcia Amaral, Francisco Fabiano Júnior (Chiquinho),
Gregório, Tamborim, Dorinho Marques, João Márcio,
José A. Almeida, Valcir, Céia, Wilson e Marina (o
primeiro casal de mestre sala de porta bandeira
vindos do Camisa Verde e Branco) estes em sua maioria
da Ala Cuíca de Ouro da Vai-Vai.
O
primeiro ensaio aconteceu no campo do Brahma na
Rua Padre Machado com a Rua Santo Irineu onde Mestre
Binha reuniu a molecada da área para formar a bateria
que foi considerada a melhor de São Paulo sendo
formada apenas pôr garotos somados a experientes
batuqueiros do Vai-Vai e do Camisa Verde e Branco.
O
nome Barroca é originário do campo de terra que
seus integrantes freqüentavam de uma equipe de futebol
de várzea, a Portuguesinha, na Vila Mariana, chamado
de campo da barroca que abrigava os batuqueiros
da escola para animadas rodas de samba aos finais
de semana. Local onde em 1976 a escola ensaiou e
se consagrou na Rua Jorge Tibiriçá. O nome Barroca
foi dado pelo saudoso Valter Japão.
Com
uma linhagem de uma escola de raiz, jovem e experiente
ao mesmo tempo, filosofias quilombolas e mangueirenses
de Pé Rachado, a Barroca sagrou-se campeã do primeiro
desfile que participou no III Grupo em 1975 (desfile
na Lapa) com o enredo "A Primeira Chegada dos
Escravos Negros ao Brasil"; repetiu a façanha
em 1976 e venceu o II Grupo com o enredo "Sonho
de Palmares"; era muita glória para uma escola
tão nova, mas ao mesmo tempo respeitada e admirada
pôr todos trazendo a originalidade e criatividade
dos sambistas na avenida; alcançou o I Grupo em
1977 onde se firmou como uma grande escola, e
nesse ano inaugurou a tão sonhada quadra na Rua
Paulo Figueiredo esquina com a Av. Ricardo Jaffet
entre a Vila Mariana e o Ipiranga. O ponto de partida
da quadra foi o churrasco organizado pelos "Amaral'"
pela parte da manhã daquela segunda feira de 09
de Abril de 1977; depois o jogo dos hospedes de
honra Mangueira contra Barroca numa partida de futsal
seguida por uma boa roda de samba; pós 22 horas
a batucada do Mestre Binha dominou a festa sendo
tomada atenção quando a bateria da Mangueira efetuou
o seu batismo feito pelos padrinhos Mestre Cartola
e sua esposa Dona Zica, que foram eles que pediram
a Pé Rachado em 1974 que se acaso fundasse uma nova
escola, desse o verde e rosa em homenagem à eles
e principalmente à estação primeira do samba, Mangueira.
Anos
80 - A Barroca sempre entre as 6 primeiras
Em
1979 a Nação Barroca já é presidida pelo saudoso
Osmar César de Carvalho fundador da FESEC e na época
presidente da UESP; por regulamento da UESP obrigando
as escolas à adotar quatro cores, aderiu o vermelho
e branco e nessa época Mestre Fubá e Mestre Bolão
comandaram o bom ritmo da bateria, já com o andamento
mais acelerado devido até o crescimento dos desfiles
na Avenida Tiradentes pela proporção que a agremiação
já comportava. Mesmo assim, sendo a bateria mais
cadenciada dos desfiles.
Seus
marcantes carnavais nos anos 80 foram "Futebol
no Carnaval" em 82, onde o samba virou vinheta
da Radio Bandeirantes na Copa do Mundo, "75
Anos de Imigração Japonesa no Brasil" em 83,
já sob a presidência de Antônio Canallonga (Tonhão)
a primeira homenagem de uma escola do Brasil à uma
colônia oriental, com participação deles no desfile
vindo de avião apenas para passar na passarela;
primeiro show ao vivo para o Japão transmitido via
satélite no bairro da Liberdade feito pela Barroca
Zona Sul com suas passistas, ritmistas e aula de
samba do Mestre Pé Rachado e "Chico Rei"
em 85 um carnaval todo artesanal com materiais como
bambu, palha e barro graças a inteligência de um
ex mestre-sala do carnaval de São Paulo, o Mestre
Batucada, onde a escola amarga o 5° lugar depois
de ser penalizada em 4 pontos por atraso, quando
poderia ter se tornado a grande vencedora do desfile
de 1985. Época essa marca a quadra da escola, palco
de shows de grandes sambistas como Roberto Ribeiro,
Luiz Américo, Beth Carvalho, Bezerra da Silva, Jorginho
do Império, Alcione, Originais do Samba e baterias
de escolas cariocas como o Império Serrano, Acadêmicos
do Salgueiro, Imperatriz Leopoldinense e Mangueira
do Amanhã.
Em
1986 depois de alguns bons resultados foi desalojada
da quadra e rebaixada. Passou a ensaiar na Rua Santo
Irineu, época de momentos difíceis onde muitos pensaram
no fim da escola, mas a volta de Pé Rachado contribuiu
para que em 1987 com o enredo "Nação Odara
dos Quilombos" (Asas à Liberdade) fosse novamente
campeã do II Grupo tirando
nota máxima em 9 dos 10 quesitos em julgamento;
levou um 9 de bateria pelo fato dos tamborins não
repicarem da maneira moderna, isso revoltou demais
Mestre Fubá, os ritmistas e principalmente Seu Sebastião
Pé Rachado na época que concedeu uma entrevista
à TV Cultura dizendo sobre o ritmo da bateria da
escola que fundou: "nós fazemos samba, batucada,
nossa caixa é guerreira, pega p´ra valer, nosso
surdo centra firme a marcação, nossos tamborins
batem da maneira tradicional assim como nossa madrinha
Mangueira, isso da minha escola nunca vão tirar"
(sobre tamborins a Mangueira no Rio também batia
da maneira tradicional, famoso "teco-teco")
voltando assim em 1988 ao grupo principal
com o enredo "No Centenário da Abolição Barroca
Novamente “, mais um carnaval de Edson Machado que
consagrou a Barroca entre as seis primeiras.
Um
ano depois Mario Pereira Rodrigues (Pizzaiolo) presidiu
a escola no carnaval de 1989 onde ficou em 7° lugar,
ano que marcou a despedida do casal Gabi e Beth,
o mestre sala sairia da Barroca para se tornar o
mestre sala do século, enquanto Beth ainda se dedicaria
à escola se tornando imortal também sendo a maior
portadora de bandeira da escola de 76 à 89, foram
15 anos. Nessa época o carnaval de São Paulo já
tem com domínio das escolas especiais e do grupo
1 a sua Liga Independente, que é quem atualmente
direciona essas entidades.
Anos
90 - Emoções, Perdas e Sofrimento
Em
1990 presidida por Geraldo Sampaio Neto (Borjão)
com o enredo "Segredo do Amor" alcançou
o 4° lugar, que é sua melhor colocação no grupo
especial e a escola consegue a atual quadra no bairro
da Água Funda, inaugurada dia 05 de Janeiro. Daí
em diante, muitas perdas: a saída de Eumar e Batucada
e as mortes de Pé Rachado, Osmar César de Carvalho,
Mestre Fubá, Beth e Mario Millonga da harmonia abalaram
muito a escola no decorrer dos anos 90. Em
1994 a Barroca Zona Sul mesmo com dificuldades desfilou
muito bem, porém acabou sendo rebaixada para o Grupo
1. De
95 a 96 foi presidida por José Augusto Faustino
(Baio), com carnavais e mudanças que não levaram
a escola para o grupo especial novamente. Em 1997
voltou ser presidida pôr Borjão que depois oito
carnavais de luta; em 1998 com o enredo “Ibirapuera,
a Felicidade se Disfarçou de Parque” , 1999 com
“Viagens Extraordinárias” e 2000 “Saga de Reis”
ano de seu jubileu inclusive onde teve na bateria
participação do baluarte Mestre Lagrila a escola
perde para si própria cometendo erros primários
que adiaram a festa do acesso ao grupo especial.
Novo
Milênio - A Esperança Brilha na Bandeira
Verde e Rosa