Nome:
William Daniel Silva
Idade: 24 anos
Cargo: mestre da bateria Por
Luciana Oliveira, Rafael e Felipe Barros
Quem
lhe apresentou pela primeira vez uma escola de samba?
Foi minha avó, Elvira Silva, mais conhecida como
Requeté no meio do samba. Eu não sei bem a
história do apelido dela. O nome da minha vó
é Elvira Silva e deram o apelido desde criança
de Raquel, e daí virou Dona Raquel e, no meio do
samba, passou para Requeté. Quando nasci, ela já
era sambista há muito tempo, inclusive participou
da oficialização do carnaval aqui em São
Paulo e foi uma das fundadoras de uma antiga escola de samba
chamada “Coração de Bronze” na
década de 60 ou 70.
Como
morava aqui na Zona Sul, ela foi convidada para fazer parte
da diretoria de uma escola mais antiga ainda “Garotos
do Ipiranga”. Foi vice-presidente dessa escola por
uns 10, 15 anos. Além disso, ela freqüentava
outras escolas também, principalmente a Barroca que
era perto da favela onde morávamos. Eu vim de uma
família muito pobre e praticamente só morei
em favela. Antigamente a Barroca ficava na Rua Santa Irineu,
perto da Rua Padre Machado, minha favela ficava ali, chamava-se
Favela do Vergueiro. Eu me lembro do samba dali. A primeira
vez que fui a um ensaio da Barroca foi na Rua Santo Irineu.
Eu e minha mãe, que não era do samba, fomos
levados por minha avó e por minha tia Odete, que
fazia parte da Flor de Vila Dalila.
Quantos
anos você tinha?
Eu tinha cinco anos. Eu lembro bem desse ensaio, tinha uma
ala com umas bandeiras balançando sem parar! No mesmo
ano, minha mãe levou-me junto com meu irmão
para assistir aos desfiles na Av. Tiradentes. Como eu era
pequeno só assisti às duas primeiras escolas
e depois só me lembro de ver o dia amanhecendo, ainda
tinha uma escola na avenida, não sei nem dizer que
escola que era.
E
quando você passou a freqüentar definitivamente
a Barroca?
Eu e minha família mudamos daqui, da Zona Sul, e
fomos morar na Cohab de Guaianases, Zona Leste. A escola
mais próxima era a Leandro de Itaquera, comecei a
freqüentar os ensaios de lá. Demos muitas voltas
pra lá e pra cá, parecíamos ciganos,
mudávamos muito de lugar. Nesse meio tempo a Barroca
mudou para este local atual, entre 90 e 91, e calhou de
mudarmos para a favela de cá, Água Funda,
início de 93. E por ironia do destino mudei para
o lado da quadra! Ia brincar lá, ver os carros alegóricos
que eram feitos atrás dela e passei a freqüentar
escondido todos os ensaios do carnaval de 93 para 94.
Mas
por que escondido?
Porque minha avó virou evangélica e ficou
com outra visão. Minha mãe faleceu e ela conheceu
essa religião. Hoje eu não deixaria, mas ela
queimou todos os documentos de escola de samba que ela tinha,
fotos, jornais, discos, fez uma grande fogueira! Ela era
do umbanda, queimou todos os santos, roupas, patuás,
guias, vela. Acabou com tudo e deixou de ser do samba e
não queria que eu seguisse o samba também.
Era uma briga, então eu tinha que ir aos ensaios
escondido. Um dia passei um xaveco pra minha vó me
levar ao desfile.
Qual
foi o "xaveco"?
Ah, eu tinha freqüentado todos os ensaios e queria
assistir à Barroca no Anhembi, porque até
então eu só tinha assistido na Tiradentes.
E em fevereiro de 94 eu pedi, pedi muito, para ela me levar
e ela disse que só iria me levar porque eu queria.
Acho que no fundo ela queria ir também (risos).
Qual
foi a sensação?
Eu estava na arquibancada e fiquei super emocionado. O enredo
apresentado foi Nas Ocas da Barroca o Índio Viu
Quem Invadiu. Então eu disse para mim mesmo:
“não importa o que vai acontecer, custe o que
custar, ano que vem vou estar na bateria!” Meu sonho
era estar no Anhembi, não na arquibancada, mas na
pista!
E
por que, ao invés de assistir, você já
não desfilou na bateria naquele ano?
Porque eu tinha muito medo do mestre Bagulé. Eu comecei
a vim nos ensaios, como já disse, do carnaval de
93 para 94, e sempre quis entrar na bateria. Em casa sempre
batucava em balde, panela, caderno, em tudo que via pela
frente. Nesse ano só tinha o mestre Bagulé
na frente da bateria, e ele era muito bravo. Eu era criança,
tinha uns 11, 12 anos de idade, e tinha muito medo do mestre
Bagulé, mas muito, muito, muito medo mesmo!
Eu
queria entrar, pedir para alguém, mas não
tinha coragem. Além disso, não tinha criança
na bateria, só o Cebolinha, que era o filho do Borjão,
na época presidente, e o sobrinho do Bagulé,
o Júnior. Ah, tinha também o Nato, que tocava
um pouco tamborim.
E
quando você tomou coragem?
Minha coragem veio quando assisti pela primeira vez ao desfile
no Anhembi, em 94. Pedi para o Nato falar com o Bagulé,
e o mestre me disse: “Não, você é
muito pequeno!” Eu fiquei super triste. Porém,
em um ensaio de quarta-feira, descobri que tinha outro mestre
além do Bagulé, o mestre Bolão. Nos
ensaios durante a semana o mestre Bagulé não
ia porque ele estava estudando, não sei se fazia
faculdade ou algum curso. Vi que o mestre Bolão era
um cara mais light.
O
mestre Bolão chegou na hora certa, não é?
Com certeza! Eu pensei: “vou pedir para esse cara
deixar eu entrar na bateria!” No término do
ensaio eu cheguei, com medo também, perto do quartinho
da bateria que ficava do lado direito do palco e chamei
o mestre e pedi.
Que
instrumento você queria tocar?
O mestre Bolão perguntou qual instrumento que eu
queria tocar. Eu não sabia nem o nome, eu apontei
e falei:
- Eu quero tocar aquele ali.
- Ah, você quer tocar repinique? Então você
pode vim no domingo!
E quando chegou domingo, eu fui. O portão era no
meio da quadra, e quando eu estava entrando vi o Bagulé
na frente da bateria.
E
aí?
Ah, aí eu pensei: “eu não vou não!
Eu hein, eu vou tocar meu instrumento e ele vai me matar.
Se até com adulto ele briga, imagina com criança!”
Nem entrei na quadra, quando vi o Bagulé, fiquei
no portão, bem escondidinho. O Nato insistiu para
eu entrar:
- Vamos, você já falou com o Bolão,
ele deixou!
- Não vou entrar não, o outro cara está
lá. Eu não vou não!
O Bolão me viu e ficou apitando do quartinho da bateria.
Eu fingia que não era comigo. Ele ficou apitando,
apitando, me chamando. Depois eu vi que ele chamou alguém,
me apontou e pediu para que me levasse até ele.
E
você foi?
Eu cheguei perto do Bolão e ele pediu para eu pegar
o instrumento. Eu nem sabia colocar o talabarte, e já
estava tremendo, com muito medo, porque eu não sabia
tocar nada. Tudo que sei hoje eu aprendi praticamente sozinho,
só de ouvir. Só depois que o Bagulé
me passou algumas coisas. Bem, continuando... eu peguei
a ripa, o mestre Bolão e o Bagulé começaram
a montar a bateria. A bateria começou a tocar, o
Bagulé entrou na frente. Depois que todos estavam
tocando, inclusive eu, ele deu o comando para pararmos de
tocar. Ele perguntou para o Bolão:
- Quem é essa criança na bateria?
- Ah não, é um menino que pediu para entrar
na bateria. Ele gosta muito de samba, me pediu para aprender
e eu deixei!
O Bagulé olhou bem para mim e disse:
- Toca aí moleque!
Eu não sabia tocar e comecei a bater de qualquer
jeito. Foi onde entrou o saudoso Neneca, ele na época
tomava conta da ala dos chocalhos, dos ganzás. O
Bagulé chamou o Neneca e pediu para eu tirar a ripa.
Eu tirei, coloquei no chão, ele me deu um chocalho
e falou:
- É o seguinte, você vai tocar este instrumento
aqui. Este aqui é o Neneca e ele vai lhe ensinar.
Neneca, toca aí para ele ver como que se toca isso
aí!
O Neneca tocou e eu fiquei triste porque eu não queria
tocar esse instrumento, eu queria tocar ripa! E aí,
quando o Neneca me deu o chocalho na mão o Bolão
veio e disse:
- Não! Ele pediu para tocar ripa, ele vai tocar
ripa!
Aí os dois começaram a entrar em um atrito,
não era uma discussão, mas estavam decidindo
o que eu iria tocar, e entraram em um acordo. O Bagulé
disse:
- Tudo bem ele vai tocar ripa, mas só vai ensaiar,
não vai para o desfile.
Quando ele falou que eu não iria para o desfile eu
quase chorei, porque meu sonho era desfilar na bateria,
principalmente com a Barroca que eu já conhecia há
bastante tempo. Bem, eu continuei no ensaio, batendo na
ripa, porque ainda não sabia tocar. Quando acabou
eu pensei: “Se for para ensaiar e não desfilar,
não venho mais.” Mas com a ajuda do Nato, que
antes dos ensaios passava sempre em casa, eu continuei a
ir. Em dois, três meses eu já tinha aprendido
a tocar ripa, caixa, surdo, e já estava legal, foi
quando eu entrei na bateria de vez.
Caramba,
no mesmo ano?
No mesmo ano, eu já aprendi a tocar, desfilei e participei
de apresentações.
A
essa altura você já tinha perdido o medo do
Bagulé, não é?
Não! Ainda continuava tocando com muito medo. Só
perdi o medo dele quando em 98 ou 99, tivemos uma pequena
discussão. Cheguei inclusive a sair da bateria. Depois
de um mês ele passou em casa e conversou comigo, disse
que eu era um menino bom e que precisava de mim. De lá
para cá fiquei amigo dele.
Como
surgiu o apelido Barroquinha e quem o deu?
Desde criança aqui na Barroca meu amor e dedicação
nunca faltaram. Nos ensaios eu chegava bem cedo e era o
último a sair. Ajudava a arrumar a quadra. Estava
sempre na Barroca mesmo que não tivesse acontecendo
nada. Por eu gostar muito de carnaval, coleciono discos,
jornais, CDs, revistas sobre o assunto. Eu era muito fanático.
Eu tive até um problema na escola e na vizinhança
porque eu só queria falar de carnaval, cantar sambas
enredos. Meus amigos chamavam-me de louco, porque eu não
sabia falar de outra coisa. O Adilson, o negrão do
tamborim, começou a me chamar de Barroquinha, porque
eu não parava de falar da Barroca. Ele dizia que
eu era a Barroca em pessoa. E pegou! Todo mundo começou
a me chamar de Barroquinha, isso foi entre 96 e 97. Por
enquanto, só na escola me conhecem assim, na minha
família eu sou o William mesmo.
Já
desfilou em outras escolas e em outros setores?
Infelizmente a Barroca não foi a primeira escola
que eu desfilei, porque no mesmo dia do desfile dela, no
meu primeiro ano, o mestre da bateria da escola de samba
“Lava-Pés” precisava de ritmistas naquele
momento. Eu já estava na quadra, quando ele chegou
e pediu para o mestre Bagulé emprestar alguns ritmistas.
O Bagulé concordou e alguns ritmistas, inclusive
eu, fomos ajudá-lo. Ou seja, primeiro desfilei na
“Lava-Pés” e depois na Barroca.
Já
desfilei também no Brinco da Marquesa na ala dos
compositores, já cantei, para ajudar o intérprete
que estava sozinho, desfilei como harmonia e já fui
carnavalesco dessa escola.
E
no bloco “Me Engana que eu Gosto” já
segurei a bateria e cantei também, aprendi algumas
coisas com o Alécio (antigo intérprete da
Barroca), empurrei carro, fui 2º diretor de bateria
a convite do mestre Thiago e fui carnavalesco, dela também.
No
carnaval de 2004 para 2005, o Thiago assumiu a bateria aqui
na Barroca, eu fui o 2º diretor dele, e por algumas
divergências eu saí e voltei em 2006 como harmonia
de bateria.
Você
também é carnavalesco?
Começou do nada, eu nunca tive o dom para desenhar,
mas sempre rabiscava alguma coisa. Quando os carros alegóricos
da Barroca eram feitos na quadra, eu ia todo dia para ver
como estavam ficando. Um dia eu sentei em frente a um carro
abre-alas e pensei: “vou desenhar este carro!”
Desenhei e guardei. Tirava foto das fantasias que ficavam
na quadra, chegava em casa desenhava e guardava. Eu guardava
todos os desenhos, porque eu tinha vergonha de mostrá-los.
Em um belo dia o mestre Thiago foi em casa e os meus desenhos
estavam todos na mesa do meu quarto, eu tinha esquecido
de esconder. Ele viu e disse que eu poderia ser carnavalesco.
Para mim, ele estava louco, mas no fim ele me apresentou
para o André Machado, carnavalesco da Barroca na
época, que me ensinou a fazer enredo, como dividir
uma escola de samba em alas, técnicas de desenho,
e acabei gostando da coisa, me aperfeiçoei, e comecei
a escrever enredos para escolas de samba. Inclusive já
pintei vários desenhos para o André.
Em
quais escolas você já trabalhou como carnavalesco?
Em 2004, nos 450 anos de São Paulo, fiz o carnaval
campeão do “Me Engana que eu Gosto” com
o enredo: Através das canções poéticas
de Adoniran Barbosa, passei pela terra da garoa, o
bloco subiu para o Grupo Especial de Blocos.
No
carnaval de 2005, no “Brinco da Marquesa” desenvolvi
o enredo junto com o Thiago, De lá pra cá...
Brasil país do carnaval. A escola foi a 6ª
colocada.
E
em 2006, também no Brinco desenvolvi o tema: Orixás,
os Deuses que vieram da África, a escola foi
campeã e subiu para o Grupo 1A. E no "Me Engana
que eu Gosto", ainda em 2006: Portela, minha querida
Portela, que, infelizmente, por alguns problemas dentro
da escola, o bloco foi rebaixado.
Você
ainda pretende fazer outros trabalhos nessa área?
Com certeza!
Sei
que você tem um grande acervo de material da Barroca.
Como você começou?
A Barroca estava praticamente sem história, eu perguntava
para os mais antigos e ninguém sabia dizer muita
coisa à respeito. O mestre Thiago também era
super interessado na história da escola e nós
nos unimos para ir atrás. Foi na época que
inaugurou o Centro de Memória e Documentação
do Samba da UESP, que tinha acesso ao público. Lá
tem jornais, vídeos, diversos materiais, as pessoas
podem olhar o acervo e até tirar cópias. Eu
e o Thiago íamos lá direto, às vezes
eu ia até sozinho, mexíamos nas pastas que
estavam divididas por ano. Olhávamos matéria
por matéria, quando falava da Barroca tirávamos
uma cópia e desse jeito recuperamos uma boa parte
da história da nossa escola.
Depois
conhecemos o mestre Binha (filho do Pé Rachado, 1º
diretor de bateria da Barroca e uma das pessoas que estava
presente na fundação da escola) que também
nos ajudou muito com matérias de jornais, fotos,
alguns desfiles em fitas de vídeo e com a história
contada por ele mesmo. E onde ele morava é a famosa
Vila do Pé Rachado, na Rua Padre Machado, onde foi
fundada a Barroca. Tivemos contato com outras pessoas que
participaram da fundação que também
nos contaram algumas histórias. Começamos
a anotar e a guardar tudo isso. E no fim temos toda a história
da Barroca.
O
que você tem?
Eu tenho fitas de vídeo, matérias de jornais,
diversas revistas que eu comprei em sebos, todos os discos
e CDs do carnaval de São Paulo, inclusive de grupos
de acesso e dos grupos 1 e 2. Encontrei muita coisa nos
sebos. Eu tenho discos antigos de 66, 67... Fui comprando,
comprando e quando me dei conta já estava com todos
os sambas até 2006.
Você
tem material de outras escolas também?
Sim! Eu sempre gostei de carnaval e queria saber também
como eram os desfiles de antigamente, porque eu não
lembrava, eu era adolescente. Mas o meu maior acervo é
da Barroca.
Além
dos já citados, quais outros recursos você
utilizou para conseguir material?
Comecei a perguntar para as pessoas se elas tinham fitas
para me emprestar. Elas me emprestavam e ao invés
de só assistir eu aproveitava e copiava. O Odinei
Pedro Mariano, que foi um grande mestre-sala da Barroca,
também me emprestou algumas fitas de desfiles antigos
para eu gravar. Na internet haviam algumas pessoas que também
procuravam fitas de vídeo de escolas de samba e eu
ofereci trocas.
Ainda hoje você tira um dia para ir atrás
desse material?
Não, hoje em dia não! Como já tenho
bastante coisa, geralmente o que aparece é por acaso.
Mas foi uma luta para ter tudo que eu e o Thiago temos.
E
como você organiza?
Tudo está em ordem de data.
O
material que você tem é o mesmo do mestre Thiago?
Sim, a cada hora está na casa de um.
Qual
a maior dificuldade para fazer um acervo desse?
Financeira! Um dia eu e o Thiago fomos na TV Cultura, uma
matéria de três minutos da Barroca era uns
R$ 15,00, R$ 20,00, e a Cultura tem muita coisa, mas como
nós queríamos tudo, acabamos não comprando.
Como
você faz as gravações?
Bem, hoje em dia na época do carnaval o SPTV passa
bastante coisa, eu entro no site para saber quando vai passar
algo e preparo meu vídeo para gravar. Às vezes
fico esperando ou quando preciso sair eu deixo o vídeo
gravando, para pegar todas as vinhetas, porque a gente nunca
sabe quando vai passar, depois eu faço uma edição,
em casa mesmo, e fico só com as vinhetas e com as
matérias que passaram durante o dia.
O
que falta para ter o acervo completo?
Falta mais fitas de vídeo da década de 80,
porque eu tenho de 87 para cá. Material impresso
eu tenho bastante, mas sempre falta algo.
O
que você considera raridade do seu acervo?
Tudo! Porque você não encontra fácil
tudo que agora eu tenho.
O
que pretende com esse material?
Eu não quero tudo isso só pra mim. Assim como
eu, tenho certeza que há muita gente que se interessa
pela história do carnaval de São Paulo. No
futuro pretendo montar um museu de acervo do carnaval de
São Paulo com projetor, telão... as pessoas
podem dar uma ajuda de custo para pagar energia elétrica
e ir lá assistir. Nesse museu elas poderão
pegar fotos, jornais e tirar cópias. Inclusive, hoje
em dia, eu convido pessoas para irem em casa assistir, eu
não gosto de emprestar porque acabei emprestando
muita coisa e não me devolveram
Quem
tiver material, como pode entrar em contato com você?
Por e-mail: williambarroquinha@yahoo.com.br ou pelo telefone
(11) 9354-9012. Se não quiser doar, mas quiser fazer
uma troca eu topo! Por exemplo, se alguém tiver um
desfile que eu não tenho ele grava para mim e eu
gravo algum que ele não tenha. Se não tiver
como gravar, pode ir em casa que eu gravo.
O
que você gostaria de mudar no carnaval de hoje em
dia?
Sinto saudades do samba no pé. Hoje em dia o desfile
é marchado, falta samba, movimentação
das alas! Eu sonho um dia poder contar a história
do carnaval e colocar as alas fazendo zigue-zague como antigamente.
Porém, em termos de visual e alegoria, eu acho mais
bonito o carnaval atual.
Você
pode citar algum fato importantes para escola e para você?
Um fato que marcou para mim, apesar de não ter tocado,
foi quando a bateria da Barroca ganhou o estandarte de melhor
bateria pela Fesec, em 94, na época não tinha
o prêmio do Diário de São Paulo. A festa
era na quadra da escola que recebia o prêmio de melhor
bateria, então foi aqui e reuniu todas as escolas
de samba de São Paulo e do interior. A festa foi
maravilhosa! E outro fato importante também foi o
batizado da Barroca, com a madrinha Mangueira e com o padrinho
Cartola. Eu não estava presente, mas com certeza,
foi marcante para a história da escola, e me orgulho
disso.
Se
você tivesse que fundar uma escola de samba qual seria
o nome dela?
Eu sempre brinquei com o Thiago que eu colocaria “Unidos
de lá de casa”. O símbolo seria uma
família de mão dada em uma roda.
Como
você definiria a Barroca ontem, hoje e amanhã?
Ontem: Barroca entre as cinco primeiras.
Hoje: Lutando para conseguir ficar no grupo especial, pelo
menos entre as doze escolas.
Amanhã: Campeã do carnaval!
Quais
dos projeto sociais da Barroca que você usufrui atualmente?
Participo do Acessa São Paulo, usando o computador.
E na Barroca há também o curso de cabeleireiro e
manicure, mas eu só vou para deixar a minha unha
bonita, porque os alunos precisam de voluntários,
“cobaias”. (risos)
O
que a escola Faculdade do Samba Barroca da Zona Sul tem
que as outras não têm?
O nome Faculdade do Samba. A maioria dos sambistas que está
no carnaval de São Paulo, saiu da Barroca. Se não
começou aqui, pelo menos já passou (o mestre
Gabi, Aguinaldo Amaral, René Sobral, a Eliana de
Lima, o André Machado...). Por isso que a Barroca
recebeu o nome de faculdade do samba. Os maiores sambistas
da época, ao fundá-la disseram: “isso
aqui não vai ser uma escola, vai ser uma faculdade,
só tem professor nela!”
O
que é ser Barroca para você?
É tudo! Sem a Barroca o Barroquinha não existiria!
O dia que a Barroca acabar eu acabo junto com ela.
E
para finalizar...
Quero terminar com uma frase do Paulinho da Viola, que é
minha e do Thiago:
“Eu não vivo no passado, o passado vive em
mim!” |