Entrevista William Daniel - Mestre Barroquinha
 
Mestre Barroquinha, na quadra de ensaio da Barroca Zona Sul.

William Daniel Silva, mais conhecido como Barroquinha no mundo das escolas de samba, é a Barroca em pessoa, como mesmo definiu seu amigo Adilson ao apelidá-lo. Vindo de uma família humilde a história do Barroquinha se mistura com a história da nossa escola. E se depender dele e o mestre Thiago, a história da Barroca estará eternamente viva e presente, leiam a entrevista e entendam o porquê.

Esta divertida e interessante conversa aconteceu três dias antes de o Barroquinha ser escolhido, para ser o novo mestre da nossa bateria.

Nome: William Daniel Silva
Idade: 24 anos
Cargo: mestre da bateria

Por Luciana Oliveira, Rafael e Felipe Barros

Quem lhe apresentou pela primeira vez uma escola de samba?
Foi minha avó, Elvira Silva, mais conhecida como Requeté no meio do samba. Eu não sei bem a história do apelido dela. O nome da minha vó é Elvira Silva e deram o apelido desde criança de Raquel, e daí virou Dona Raquel e, no meio do samba, passou para Requeté. Quando nasci, ela já era sambista há muito tempo, inclusive participou da oficialização do carnaval aqui em São Paulo e foi uma das fundadoras de uma antiga escola de samba chamada “Coração de Bronze” na década de 60 ou 70.

Como morava aqui na Zona Sul, ela foi convidada para fazer parte da diretoria de uma escola mais antiga ainda “Garotos do Ipiranga”. Foi vice-presidente dessa escola por uns 10, 15 anos. Além disso, ela freqüentava outras escolas também, principalmente a Barroca que era perto da favela onde morávamos. Eu vim de uma família muito pobre e praticamente só morei em favela. Antigamente a Barroca ficava na Rua Santa Irineu, perto da Rua Padre Machado, minha favela ficava ali, chamava-se Favela do Vergueiro. Eu me lembro do samba dali. A primeira vez que fui a um ensaio da Barroca foi na Rua Santo Irineu. Eu e minha mãe, que não era do samba, fomos levados por minha avó e por minha tia Odete, que fazia parte da Flor de Vila Dalila.

Quantos anos você tinha?
Eu tinha cinco anos. Eu lembro bem desse ensaio, tinha uma ala com umas bandeiras balançando sem parar! No mesmo ano, minha mãe levou-me junto com meu irmão para assistir aos desfiles na Av. Tiradentes. Como eu era pequeno só assisti às duas primeiras escolas e depois só me lembro de ver o dia amanhecendo, ainda tinha uma escola na avenida, não sei nem dizer que escola que era.

E quando você passou a freqüentar definitivamente a Barroca?
Eu e minha família mudamos daqui, da Zona Sul, e fomos morar na Cohab de Guaianases, Zona Leste. A escola mais próxima era a Leandro de Itaquera, comecei a freqüentar os ensaios de lá. Demos muitas voltas pra lá e pra cá, parecíamos ciganos, mudávamos muito de lugar. Nesse meio tempo a Barroca mudou para este local atual, entre 90 e 91, e calhou de mudarmos para a favela de cá, Água Funda, início de 93. E por ironia do destino mudei para o lado da quadra! Ia brincar lá, ver os carros alegóricos que eram feitos atrás dela e passei a freqüentar escondido todos os ensaios do carnaval de 93 para 94.

Mas por que escondido?
Porque minha avó virou evangélica e ficou com outra visão. Minha mãe faleceu e ela conheceu essa religião. Hoje eu não deixaria, mas ela queimou todos os documentos de escola de samba que ela tinha, fotos, jornais, discos, fez uma grande fogueira! Ela era do umbanda, queimou todos os santos, roupas, patuás, guias, vela. Acabou com tudo e deixou de ser do samba e não queria que eu seguisse o samba também. Era uma briga, então eu tinha que ir aos ensaios escondido. Um dia passei um xaveco pra minha vó me levar ao desfile.

Qual foi o "xaveco"?
Ah, eu tinha freqüentado todos os ensaios e queria assistir à Barroca no Anhembi, porque até então eu só tinha assistido na Tiradentes. E em fevereiro de 94 eu pedi, pedi muito, para ela me levar e ela disse que só iria me levar porque eu queria. Acho que no fundo ela queria ir também (risos).

Qual foi a sensação?
Eu estava na arquibancada e fiquei super emocionado. O enredo apresentado foi Nas Ocas da Barroca o Índio Viu Quem Invadiu. Então eu disse para mim mesmo: “não importa o que vai acontecer, custe o que custar, ano que vem vou estar na bateria!” Meu sonho era estar no Anhembi, não na arquibancada, mas na pista!

E por que, ao invés de assistir, você já não desfilou na bateria naquele ano?
Porque eu tinha muito medo do mestre Bagulé. Eu comecei a vim nos ensaios, como já disse, do carnaval de 93 para 94, e sempre quis entrar na bateria. Em casa sempre batucava em balde, panela, caderno, em tudo que via pela frente. Nesse ano só tinha o mestre Bagulé na frente da bateria, e ele era muito bravo. Eu era criança, tinha uns 11, 12 anos de idade, e tinha muito medo do mestre Bagulé, mas muito, muito, muito medo mesmo!

Eu queria entrar, pedir para alguém, mas não tinha coragem. Além disso, não tinha criança na bateria, só o Cebolinha, que era o filho do Borjão, na época presidente, e o sobrinho do Bagulé, o Júnior. Ah, tinha também o Nato, que tocava um pouco tamborim.

E quando você tomou coragem?
Minha coragem veio quando assisti pela primeira vez ao desfile no Anhembi, em 94. Pedi para o Nato falar com o Bagulé, e o mestre me disse: “Não, você é muito pequeno!” Eu fiquei super triste. Porém, em um ensaio de quarta-feira, descobri que tinha outro mestre além do Bagulé, o mestre Bolão. Nos ensaios durante a semana o mestre Bagulé não ia porque ele estava estudando, não sei se fazia faculdade ou algum curso. Vi que o mestre Bolão era um cara mais light.

O mestre Bolão chegou na hora certa, não é?
Com certeza! Eu pensei: “vou pedir para esse cara deixar eu entrar na bateria!” No término do ensaio eu cheguei, com medo também, perto do quartinho da bateria que ficava do lado direito do palco e chamei o mestre e pedi.

Que instrumento você queria tocar?
O mestre Bolão perguntou qual instrumento que eu queria tocar. Eu não sabia nem o nome, eu apontei e falei:
- Eu quero tocar aquele ali.
- Ah, você quer tocar repinique? Então você pode vim no domingo!

E quando chegou domingo, eu fui. O portão era no meio da quadra, e quando eu estava entrando vi o Bagulé na frente da bateria.

E aí?
Ah, aí eu pensei: “eu não vou não! Eu hein, eu vou tocar meu instrumento e ele vai me matar. Se até com adulto ele briga, imagina com criança!”
Nem entrei na quadra, quando vi o Bagulé, fiquei no portão, bem escondidinho. O Nato insistiu para eu entrar:
- Vamos, você já falou com o Bolão, ele deixou!
- Não vou entrar não, o outro cara está lá. Eu não vou não!

O Bolão me viu e ficou apitando do quartinho da bateria. Eu fingia que não era comigo. Ele ficou apitando, apitando, me chamando. Depois eu vi que ele chamou alguém, me apontou e pediu para que me levasse até ele.

E você foi?
Eu cheguei perto do Bolão e ele pediu para eu pegar o instrumento. Eu nem sabia colocar o talabarte, e já estava tremendo, com muito medo, porque eu não sabia tocar nada. Tudo que sei hoje eu aprendi praticamente sozinho, só de ouvir. Só depois que o Bagulé me passou algumas coisas. Bem, continuando... eu peguei a ripa, o mestre Bolão e o Bagulé começaram a montar a bateria. A bateria começou a tocar, o Bagulé entrou na frente. Depois que todos estavam tocando, inclusive eu, ele deu o comando para pararmos de tocar. Ele perguntou para o Bolão:
- Quem é essa criança na bateria?
- Ah não, é um menino que pediu para entrar na bateria. Ele gosta muito de samba, me pediu para aprender e eu deixei!

O Bagulé olhou bem para mim e disse:
- Toca aí moleque!
Eu não sabia tocar e comecei a bater de qualquer jeito. Foi onde entrou o saudoso Neneca, ele na época tomava conta da ala dos chocalhos, dos ganzás. O Bagulé chamou o Neneca e pediu para eu tirar a ripa. Eu tirei, coloquei no chão, ele me deu um chocalho e falou:
- É o seguinte, você vai tocar este instrumento aqui. Este aqui é o Neneca e ele vai lhe ensinar. Neneca, toca aí para ele ver como que se toca isso aí!
O Neneca tocou e eu fiquei triste porque eu não queria tocar esse instrumento, eu queria tocar ripa! E aí, quando o Neneca me deu o chocalho na mão o Bolão veio e disse:
- Não! Ele pediu para tocar ripa, ele vai tocar ripa!
Aí os dois começaram a entrar em um atrito, não era uma discussão, mas estavam decidindo o que eu iria tocar, e entraram em um acordo. O Bagulé disse:
- Tudo bem ele vai tocar ripa, mas só vai ensaiar, não vai para o desfile.
Quando ele falou que eu não iria para o desfile eu quase chorei, porque meu sonho era desfilar na bateria, principalmente com a Barroca que eu já conhecia há bastante tempo. Bem, eu continuei no ensaio, batendo na ripa, porque ainda não sabia tocar. Quando acabou eu pensei: “Se for para ensaiar e não desfilar, não venho mais.” Mas com a ajuda do Nato, que antes dos ensaios passava sempre em casa, eu continuei a ir. Em dois, três meses eu já tinha aprendido a tocar ripa, caixa, surdo, e já estava legal, foi quando eu entrei na bateria de vez.

Caramba, no mesmo ano?
No mesmo ano, eu já aprendi a tocar, desfilei e participei de apresentações.

A essa altura você já tinha perdido o medo do Bagulé, não é?
Não! Ainda continuava tocando com muito medo. Só perdi o medo dele quando em 98 ou 99, tivemos uma pequena discussão. Cheguei inclusive a sair da bateria. Depois de um mês ele passou em casa e conversou comigo, disse que eu era um menino bom e que precisava de mim. De lá para cá fiquei amigo dele.

Como surgiu o apelido Barroquinha e quem o deu?
Desde criança aqui na Barroca meu amor e dedicação nunca faltaram. Nos ensaios eu chegava bem cedo e era o último a sair. Ajudava a arrumar a quadra. Estava sempre na Barroca mesmo que não tivesse acontecendo nada. Por eu gostar muito de carnaval, coleciono discos, jornais, CDs, revistas sobre o assunto. Eu era muito fanático. Eu tive até um problema na escola e na vizinhança porque eu só queria falar de carnaval, cantar sambas enredos. Meus amigos chamavam-me de louco, porque eu não sabia falar de outra coisa. O Adilson, o negrão do tamborim, começou a me chamar de Barroquinha, porque eu não parava de falar da Barroca. Ele dizia que eu era a Barroca em pessoa. E pegou! Todo mundo começou a me chamar de Barroquinha, isso foi entre 96 e 97. Por enquanto, só na escola me conhecem assim, na minha família eu sou o William mesmo.

Já desfilou em outras escolas e em outros setores?
Infelizmente a Barroca não foi a primeira escola que eu desfilei, porque no mesmo dia do desfile dela, no meu primeiro ano, o mestre da bateria da escola de samba “Lava-Pés” precisava de ritmistas naquele momento. Eu já estava na quadra, quando ele chegou e pediu para o mestre Bagulé emprestar alguns ritmistas. O Bagulé concordou e alguns ritmistas, inclusive eu, fomos ajudá-lo. Ou seja, primeiro desfilei na “Lava-Pés” e depois na Barroca.

Já desfilei também no Brinco da Marquesa na ala dos compositores, já cantei, para ajudar o intérprete que estava sozinho, desfilei como harmonia e já fui carnavalesco dessa escola.

E no bloco “Me Engana que eu Gosto” já segurei a bateria e cantei também, aprendi algumas coisas com o Alécio (antigo intérprete da Barroca), empurrei carro, fui 2º diretor de bateria a convite do mestre Thiago e fui carnavalesco, dela também.

No carnaval de 2004 para 2005, o Thiago assumiu a bateria aqui na Barroca, eu fui o 2º diretor dele, e por algumas divergências eu saí e voltei em 2006 como harmonia de bateria.

Você também é carnavalesco?
Começou do nada, eu nunca tive o dom para desenhar, mas sempre rabiscava alguma coisa. Quando os carros alegóricos da Barroca eram feitos na quadra, eu ia todo dia para ver como estavam ficando. Um dia eu sentei em frente a um carro abre-alas e pensei: “vou desenhar este carro!” Desenhei e guardei. Tirava foto das fantasias que ficavam na quadra, chegava em casa desenhava e guardava. Eu guardava todos os desenhos, porque eu tinha vergonha de mostrá-los. Em um belo dia o mestre Thiago foi em casa e os meus desenhos estavam todos na mesa do meu quarto, eu tinha esquecido de esconder. Ele viu e disse que eu poderia ser carnavalesco. Para mim, ele estava louco, mas no fim ele me apresentou para o André Machado, carnavalesco da Barroca na época, que me ensinou a fazer enredo, como dividir uma escola de samba em alas, técnicas de desenho, e acabei gostando da coisa, me aperfeiçoei, e comecei a escrever enredos para escolas de samba. Inclusive já pintei vários desenhos para o André.

Em quais escolas você já trabalhou como carnavalesco?
Em 2004, nos 450 anos de São Paulo, fiz o carnaval campeão do “Me Engana que eu Gosto” com o enredo: Através das canções poéticas de Adoniran Barbosa, passei pela terra da garoa, o bloco subiu para o Grupo Especial de Blocos.

No carnaval de 2005, no “Brinco da Marquesa” desenvolvi o enredo junto com o Thiago, De lá pra cá... Brasil país do carnaval. A escola foi a 6ª colocada.

E em 2006, também no Brinco desenvolvi o tema: Orixás, os Deuses que vieram da África, a escola foi campeã e subiu para o Grupo 1A. E no "Me Engana que eu Gosto", ainda em 2006: Portela, minha querida Portela, que, infelizmente, por alguns problemas dentro da escola, o bloco foi rebaixado.

Você ainda pretende fazer outros trabalhos nessa área?
Com certeza!

Sei que você tem um grande acervo de material da Barroca. Como você começou?
A Barroca estava praticamente sem história, eu perguntava para os mais antigos e ninguém sabia dizer muita coisa à respeito. O mestre Thiago também era super interessado na história da escola e nós nos unimos para ir atrás. Foi na época que inaugurou o Centro de Memória e Documentação do Samba da UESP, que tinha acesso ao público. Lá tem jornais, vídeos, diversos materiais, as pessoas podem olhar o acervo e até tirar cópias. Eu e o Thiago íamos lá direto, às vezes eu ia até sozinho, mexíamos nas pastas que estavam divididas por ano. Olhávamos matéria por matéria, quando falava da Barroca tirávamos uma cópia e desse jeito recuperamos uma boa parte da história da nossa escola.

Depois conhecemos o mestre Binha (filho do Pé Rachado, 1º diretor de bateria da Barroca e uma das pessoas que estava presente na fundação da escola) que também nos ajudou muito com matérias de jornais, fotos, alguns desfiles em fitas de vídeo e com a história contada por ele mesmo. E onde ele morava é a famosa Vila do Pé Rachado, na Rua Padre Machado, onde foi fundada a Barroca. Tivemos contato com outras pessoas que participaram da fundação que também nos contaram algumas histórias. Começamos a anotar e a guardar tudo isso. E no fim temos toda a história da Barroca.

O que você tem?
Eu tenho fitas de vídeo, matérias de jornais, diversas revistas que eu comprei em sebos, todos os discos e CDs do carnaval de São Paulo, inclusive de grupos de acesso e dos grupos 1 e 2. Encontrei muita coisa nos sebos. Eu tenho discos antigos de 66, 67... Fui comprando, comprando e quando me dei conta já estava com todos os sambas até 2006.

Você tem material de outras escolas também?
Sim! Eu sempre gostei de carnaval e queria saber também como eram os desfiles de antigamente, porque eu não lembrava, eu era adolescente. Mas o meu maior acervo é da Barroca.

Além dos já citados, quais outros recursos você utilizou para conseguir material?
Comecei a perguntar para as pessoas se elas tinham fitas para me emprestar. Elas me emprestavam e ao invés de só assistir eu aproveitava e copiava. O Odinei Pedro Mariano, que foi um grande mestre-sala da Barroca, também me emprestou algumas fitas de desfiles antigos para eu gravar. Na internet haviam algumas pessoas que também procuravam fitas de vídeo de escolas de samba e eu ofereci trocas.

Ainda hoje você tira um dia para ir atrás desse material?
Não, hoje em dia não! Como já tenho bastante coisa, geralmente o que aparece é por acaso. Mas foi uma luta para ter tudo que eu e o Thiago temos.

E como você organiza?
Tudo está em ordem de data.

O material que você tem é o mesmo do mestre Thiago?
Sim, a cada hora está na casa de um.

Qual a maior dificuldade para fazer um acervo desse?
Financeira! Um dia eu e o Thiago fomos na TV Cultura, uma matéria de três minutos da Barroca era uns R$ 15,00, R$ 20,00, e a Cultura tem muita coisa, mas como nós queríamos tudo, acabamos não comprando.

Como você faz as gravações?
Bem, hoje em dia na época do carnaval o SPTV passa bastante coisa, eu entro no site para saber quando vai passar algo e preparo meu vídeo para gravar. Às vezes fico esperando ou quando preciso sair eu deixo o vídeo gravando, para pegar todas as vinhetas, porque a gente nunca sabe quando vai passar, depois eu faço uma edição, em casa mesmo, e fico só com as vinhetas e com as matérias que passaram durante o dia.

O que falta para ter o acervo completo?
Falta mais fitas de vídeo da década de 80, porque eu tenho de 87 para cá. Material impresso eu tenho bastante, mas sempre falta algo.

O que você considera raridade do seu acervo?
Tudo! Porque você não encontra fácil tudo que agora eu tenho.

O que pretende com esse material?
Eu não quero tudo isso só pra mim. Assim como eu, tenho certeza que há muita gente que se interessa pela história do carnaval de São Paulo. No futuro pretendo montar um museu de acervo do carnaval de São Paulo com projetor, telão... as pessoas podem dar uma ajuda de custo para pagar energia elétrica e ir lá assistir. Nesse museu elas poderão pegar fotos, jornais e tirar cópias. Inclusive, hoje em dia, eu convido pessoas para irem em casa assistir, eu não gosto de emprestar porque acabei emprestando muita coisa e não me devolveram

Quem tiver material, como pode entrar em contato com você?
Por e-mail: williambarroquinha@yahoo.com.br ou pelo telefone (11) 9354-9012. Se não quiser doar, mas quiser fazer uma troca eu topo! Por exemplo, se alguém tiver um desfile que eu não tenho ele grava para mim e eu gravo algum que ele não tenha. Se não tiver como gravar, pode ir em casa que eu gravo.

O que você gostaria de mudar no carnaval de hoje em dia?
Sinto saudades do samba no pé. Hoje em dia o desfile é marchado, falta samba, movimentação das alas! Eu sonho um dia poder contar a história do carnaval e colocar as alas fazendo zigue-zague como antigamente. Porém, em termos de visual e alegoria, eu acho mais bonito o carnaval atual.

Você pode citar algum fato importantes para escola e para você?
Um fato que marcou para mim, apesar de não ter tocado, foi quando a bateria da Barroca ganhou o estandarte de melhor bateria pela Fesec, em 94, na época não tinha o prêmio do Diário de São Paulo. A festa era na quadra da escola que recebia o prêmio de melhor bateria, então foi aqui e reuniu todas as escolas de samba de São Paulo e do interior. A festa foi maravilhosa! E outro fato importante também foi o batizado da Barroca, com a madrinha Mangueira e com o padrinho Cartola. Eu não estava presente, mas com certeza, foi marcante para a história da escola, e me orgulho disso.

Se você tivesse que fundar uma escola de samba qual seria o nome dela?
Eu sempre brinquei com o Thiago que eu colocaria “Unidos de lá de casa”. O símbolo seria uma família de mão dada em uma roda.

Como você definiria a Barroca ontem, hoje e amanhã?
Ontem: Barroca entre as cinco primeiras.
Hoje: Lutando para conseguir ficar no grupo especial, pelo menos entre as doze escolas.
Amanhã: Campeã do carnaval!

Quais dos projeto sociais da Barroca que você usufrui atualmente?
Participo do Acessa São Paulo, usando o computador. E na Barroca há também o curso de cabeleireiro e manicure, mas eu só vou para deixar a minha unha bonita, porque os alunos precisam de voluntários, “cobaias”. (risos)

O que a escola Faculdade do Samba Barroca da Zona Sul tem que as outras não têm?
O nome Faculdade do Samba. A maioria dos sambistas que está no carnaval de São Paulo, saiu da Barroca. Se não começou aqui, pelo menos já passou (o mestre Gabi, Aguinaldo Amaral, René Sobral, a Eliana de Lima, o André Machado...). Por isso que a Barroca recebeu o nome de faculdade do samba. Os maiores sambistas da época, ao fundá-la disseram: “isso aqui não vai ser uma escola, vai ser uma faculdade, só tem professor nela!”

O que é ser Barroca para você?
É tudo! Sem a Barroca o Barroquinha não existiria! O dia que a Barroca acabar eu acabo junto com ela.

E para finalizar...
Quero terminar com uma frase do Paulinho da Viola, que é minha e do Thiago:
“Eu não vivo no passado, o passado vive em mim!”

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